quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Por que todo homem deveria assistir Rush - o filme

Depois de passar a 300 km/h nos cinemas em 2013, está no ar no Net Now o filme Rush, do cineasta Ron Howard, o mesmo de alguns clássicos como "1984" (e algumas bobagens, como O Código Da Vinci e, lá atrás, Cocoon). Uma boa ocasião para ver ou rever com calma esta obra indispensável para todos os cavalheiros que se prezam, destinada a se tornar um clássico sobre a identidade masculina, como A Primeira Noite de Um Homem e Os Eleitos.

Rush é a história da rivalidade entre o austríaco Niki Lauda e o inglês James Hunt no já distante campeonato da Fórmula 1 de 1976, um dos mais emocionantes de todos os tempos. Filmado brilhantemente, traz de volta em cores hiperrealistas a época romântica do automobilismo. Podemos sentir o cheiro de gasolina e de pneu queimado nas suas cenas de ação. E mais, estremecer diante de um esporte do qual, como o próprio filme lembra, um em cada cinco participantes não saía vivo a cada temporada.

Porém, não são o charme do automobilismo, os efeitos especiais ou a fotografia que fazem de Rush um filme exemplar. Ele mostra, na realidade, um interessante duelo de estilos: duas maneiras de ser, tão diferentes quanto igualmente capazes de atingir um objetivo. De um lado, temos Lauda, cerebral e estóico, capaz de abrir terreno sozinho, a golpes de ousadia. De outro, Hunt: bon vivant, galanteador, que chega à Fórmula 1 pelas mãos de Lord Heskett, um britânico excêntrico que tomava champanhe na pista e o chamava afetadamente pelo apelido de Number 1.


Brühl como Lauda (à esq.) e Hemsworth (à dir.) como Hunt:
interpretação perfeita
Os personagens são maravilhosamente bem representados. Daniel Brühl está perfeito como Lauda: os dentes "de rato", o jeito ranheta, a mentalidade germânica que fará dele logo um vencedor serial. Hunt é interpretado por Chris Hemsworth, igualmente impecável no papel, tanto que esquecemos que ele também faz o super-herói Thor nos filmes da Disney/Marvel. Beberrão, mulherengo e indisciplinado, que gosta de andar com os pés no chão e não troca nenhuma noitada pelo treinamento, o Hunt de Hemsworth encarna o talento puro, ou a paixão, contra o engenho e a obstinação do seu oponente.

O acidente dramático de Lauda, que marca a temporada e a vida de ambos os pilotos, acrescenta emoção à disputa. Qual o melhor? No fundo, não se trata do melhor, e sim de escolhas que fazemos, de como queremos ser. Com quem você se identifica mais? Eis a questão. Apesar da rivalidade, que chega ao ponto mais perigoso que se pode chegar, ambos sabem o valor um do outro. E que, mesmo por vias tão diferentes, descobrimos que tanto um jeito como o outro pode funcionar.

Lauda e Hunt na vida real: dois estilos opostos, mas
igualmente grandes - e vencedores
Além do filme, não se pode deixar de recomendar um livro, publicado no Brasil com o selo Benvirá, que também conta a história da rivalidade entre Lauda e Hunt. O título em português é Corrida para a Glória. Seu autor, o jornalista britânico Tom Rubython, editor da Formula 1 Magazine e Business F1, escreveu também uma competente biografia de Ayrton Senna, além de outra do próprio Hunt.Lá, se pode saber com  detalhes tudo aquilo de que o filme não dá conta.

Dos dois astros daquela luta titânica, Hunt foi o primeiro a morrer. Lauda ainda está na Fórmula 1, hoje como diretor da Mercedes, escuderia atualmente considerada imbatível. Não deve ser por acaso, como mostra bem Rush. O tempo passou, mas Lauda não mudou tanto. Ainda tem no rosto as sequelas do acidente que tornou aquele ano de 1976 tão palpitante. E não deixou de ser um incansável perseguidor da vitória.


Rush: um filme que faz sentir o cheiro de gasolina. E tremer


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